Ave de arribaçã ou à Propósito...
O trem anda sempre
Ida e volta
Eu vou
Sempre
Ida e ida e volta e ida...
Eu vou
Eu sou
As Quatro Estações eu sou
Eu sou como o trem
Eu sou como folhas secas
Eu sou como o vento
Eu vou e vou e voo e vou...
Eu vivo
Eu amo
Eu voo
Sempre
De mim para o mundo
Sem fim...
Eu sou como o zinco
Eu sou como a água
Volta ao mundo
Vienense temporada
Eu sou como o vento
Eu sou todas as horas
Eu sou como o tempo
Eu vou em zigue-zague
Eu sou um vulto
...e eu voo e vou e voo e vou sempre
OFERTÓRIO
TE OFEREÇO MEU CAFÉ AMARGO
Para que você possa distinguir o agridoce
de meus beijos cálidos
TE OFEREÇO MINHA EBRIEDADE
Para que você possa gozar de minha lúdica lucidez
TE OFEREÇO MEU ORGASMO SILENTE
Para que ouça os gemidos e gritos estridentes de minh'alma
TE OFEREÇO MINHAS LÁGRIMAS DE GOZO
Para nosso sexo ser humano
Prazeroso
TE OFEREÇO DO MEU VINHO UM TRAGO
Trago do cigarro
TE OFEREÇO UM POUCO
Trago um desejo louco
De sorver-te...
Não posso me dar toda
TE OFEREÇO DE MIM UM POUCO
TE OFEREÇO UM TRAGO DO MEU CORPO
Um trago
TE OFEREÇO MEU OLHAR VENENOSO
Para que descubra a cura no meu riso solto
TE OFEREÇO MINHA DISPLICÊNCIA
Para te lembrar que nem sempre as boas coisas
da vida guardamos
ENTÃO, TE OFEREÇO UMA CHANCE:
Receba o que te ofereço
E de quebra,
NÃO ME ESQUEÇA!
LABAREDAS
Golfar poesia
Como quem goza e esporra
Como quem orgasma em gozo
Como quem sua e assume
Como quem grita e baba
Lapidar experimental
Como quem andarilha
Por destinos
Incertos
E arredios
Adeus à calma
Da lamparina o pavio
Da chama da vela a luz
Encontro certo
Com o que mascara e revela
Labaredas de fogueira interior
A se rebelar com o meio-dito
Meias palavras
E verdades
Meias...
Tenho um frio ardente escaldante
E quero sempre teu calor gélido
Para fluir meu sangue e fruir teu sexo
Para brincar de amantes \ de estranhos no primeiro encontro de corpos
ao cio
Para romper minha veia
Solitária
E fazer teu solitário brilhar feito estrela
...Vai-se saturno - ficam-se os anéis
Vens de víeis \ lunático
E fico noturna \ não só
Como teu céu
Todas As Eras
ERA PRIMITIVA
A Emoção
ERA CRISTÃ
Madalena
E Eu Não
ERA HISTÓRICA
A Civilização
ERA BÁRBARA
A Aldeia
ERA HERA
A Mãe De Todos
E ERA HERA
A Planta Do Muro
ERA GLOBAL
A Fase No Mundo
ERA ESPACIAL
A Mente
ERA GLACIAL
O Coração
ERA AQUÁRIO
Os Olhos
E ERA PEIXE
O Alimento
do Dia.
Construção ad-infinituum
Ress_urgir
Re_lançar_se
De_senlaçar-se nó
Dançar-se tonta pronta na afronta
De_cantar-se em catarse
Jogar-se ao terreiro mundano
Se refazer do tombo
Re_criar-se das cinzas
Dos restos que simulei
não me pertencer/nem me ser
Adornar-me de meus sonhos e visões
Desembaçar as lentes, meus olhos e os desejos
Re_maquiar minha face e meu corpo
Re_textar meu contexto
E me desfazer de pretextos de escape
Encarar minhas vísceras
E jorrar-me em gozos por todas as angulações e formas
de expressões que se dá como arte
[...minha pretenção = meu alívio!]
Flocos de neve
Vienense inverno
Temporada de amor
Invernal e celeste.
O calor que me aquece nesse frio de grau...
...zero
Não são roupas
Nem "os" sobre-tudo
Todo que seja...
Mas, o coração que arde em chamas e...
Brasa...me
O amor que toco...
Alexander amado...
Vienense...
Universal...
...Natalense, quiçá?
...sou eu?
Mundi...
Artéria pulsante...
...em canto qualquer do mundo
Estéticas étnicas que sejam linguagens estas...
..Ich Spreche nicht Deutsch! Ich Spreche mehr oder weniger!!
Frases e flocos que os ventos trazem...
...e minha poética parda não é nada!
Sangra da sinistra
Amostras
Espicha artéria
Desmanche em sangue
Multicor olor dor odor ardor amor
Sangra sagrações / rezas pagãs
Recorrente / sonora destoante
Ríspida sonoridade / idade vã
Arde ao atear-se arte
Infla amável véu ao léu translúdico
Hermética / híbrid’alma
Luz de templo
Grinalda amálgama / intimidades d’altar
MEU ROXO ROSTO
FOSCO FROUXO
FELINO E FERINO
ESTÁ CADA VEZ MAIS ROXO
E MEUS SEIOS E PESCOÇO
TÃO ROXOS
PELOS ROXOS ÓSCULOS
DOS MEUS DEUSES
OUTROS....
.OLHO descalço do lado DE FORA
DE FORA espreito tudo com CISMAS
CISMAS na pia suja do bar ACIMA
ACIMA o espelho VELHO
VELHO cisco no OLHO.
Leitura Reticente
No varal estendida a alma...
...uma terceira idade na prisão de laços atados num pretérito
pretenso futuro insosso...
Um escorpião assassinado antes do possível suicídio...
...besouros e mosquitos de espécies várias...
Um bambuzal em ascensão...
...um cristo na cruz ateado...
Cadeados abertos sob o céu estrelado...
Não arengo mais nem com a rima nem com arames farpados...
declaro meu amor às reticências e minhas quedas nas redundâncias...
...eucaliptos pomposos dão o tom dos tempos e a plástica
de seus troncos se faz abstratas e surreais...
Um ninho de gatos num canto acoado...
...ninhos abandonados de pássaros passados...
Cigarras granjeiam com seus cantos exaltados e as palhas dos coqueiros
pelejam sem remanso em seu bailado...
Temo e tenho que admitir enfim que a rima em minhas sangradas escrituras
para sempre irão persistir...
Miséria estética ou retórica? Rima pobre ou rica
rima?
...por ser semi-alfabetizada, conhecimentos não tenho para definir;
certamente só sei do que vem de mim assim... por vir.
Rimo e fim/ns (?).
..................................um retiro frugal, fugaz e apraz...
...um sono maneiro e uma aura lilás, azul, ensolarada, areada,
regada, enevoada e clara.
M U L H E R
Grita e Rouca-se
Ri e Leve-se
Pensa e Texta-se
Chora e Seca-se
Lambe e Molha
Morde e Marca
Fuma e Baga
Sua e Lava-se
CICLO E SANGUE
*DESTINO iça velas
Desatracada ÂNCORA
Correntezas, correntes de ar, atlântico
Corta entre-mares / afluentes
nem o Danúbio nem o Potengi são azuis
as Veias = os Rios
Rios Grandes
espaçosos na memória
guardo a imagem de crepúsculo sobre o Potengi
... as valsas de Tonheca Dantas
céu de âmbar flamejante
cinza verde lodo Donau / Danúbio
Dúbio prazer em re VER ora Outonal
...céu d’azul luzente
valsas vienenses
Próximo porto, taça de “sekt”, beijo espumante
Sina, emoções fluentes, cheias de sangue veias, ventos nas andejas costas...
estratégias de xadrês, pulsação d’amor...
respiração, inspiração, transpiração
e a discreta Primaveva do lado hemisférico de cá
Desatracada âncora
... o caminho é sempre mais importante que o porto
Correntezas, correntes de ar - atlântico
Corta entre - mares / afluentes
Avoei... Trem de pouso...
Nem o Danúbio nem o Potengi são azuis
as Veias = os Rios
Rios Grandes
espaçosos em minha memória
guardo a imagem de crepúsculo sobre o Potengi
... as valsas de Tonheca Dantas
céu de âmbar flamejante
cinza verde lodo Donau / Danúbio
Dúbio prazer em vê-lo ora Outonal
...céu d’azul luzente
...valsas vienenses
Um porto... taça de “sekt”, beijo espumante
Sina, emoções fluentes, cheias de sangue veias, ventos nas costas andejas...
estratégias de xadrês, pulsação d’amor, dados do gamão jogados...
respiração, inspiração, transpiração
e a discreta Primaveva do lado hemisférico de Natal
... Aportei ora e finco ramas pelo “reino do leste”
Venho com sangue quente, brilho nos olhos, coração ardente,
a rima que me segue...
e a velha inquietude latente...