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EXTERMINANDO O FUTURO
*Márcio Accioly
28/07/2000
Apesar do congelamento de salários
há mais de cinco anos, os preços e tarifas continuam subindo, reduzindo o já
miserável rendimento da população. A situação a cada dia se torna mais grave.
Só ganha dinheiro quem está no topo da pirâmide. Por exemplo, o filho de FHC,
Paulo Henrique Cardoso, recebeu sem licitação quase vinte milhões de reais do
governo federal para montar o pavilhão brasileiro na feira de Hanover,
Alemanha. Ele e a filha do senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), proprietária de
agência de publicidade. O fato está sendo investigado e certamente não irá dar
em nada. Só quem é negro e pobre sofre alguma condenação no Brasil, quando não
é assassinado friamente nas ruas. O valor total da conta do pavilhão deverá ir
além de 35 milhões de reais. Nós, os escravos, pagamos a conta.
FHC impediu a CPI que iria apurar
venda de votos na emenda da reeleição, colocando uma pedra por cima e deixando
o caso sem solução. Mas o pior de tudo aconteceu recentemente: o Brasil
entregou, de mão beijada, poços de petróleo avaliados em bilhões e bilhões de
dólares por valores ridículos, insignificantes, em torno de 50 e 100 milhões
de reais. Seria motivo de impeachment presidencial, ouvindo-se antes o genro de
FHC, David Zylberstajn, presidente da Agência Nacional de Petróleo. Tudo tão
escandaloso que se fosse numa republiqueta qualquer as pessoas iriam imaginar
que o presidente é corrupto e estaria recebendo milhões e milhões de dólares
por fora, depositados em alguma conta secreta nas Ilhas Cayman. Mas ninguém
acredita que FHC seja capaz de tal desvio.
Por menos, muito menos do que isso
colocaram o outro Fernando, o Collor, no olho da rua, embora ele venha sendo
absolvido em todos os processos nos quais foi acusado, desde bem antes daquela
CPI provar que nosso Judiciário é integrado por razoável quantidade de
contraventores fantasiados de juiz. Triste é não se ter a quem recorrer neste
visível e gritante descalabro. Chega-se à inevitável conclusão: ou FHC não sabe
o que está fazendo ou sabe o que faz e com isso expõe profundo ódio à
população do país. Some-se a esses ingredientes a certeza de que o Congresso
Nacional é omisso, espécie de cúmplice nos desmandos do Palácio do Planalto,
agindo irresponsavelmente com os seus representados. É inacreditável,
inconcebível o que está sendo feito. Desmonte generalizado, o horror, o horror.
Nossos meios de comunicação
manipulam. Em sua grande maioria eles são meios de controle social. Todos os
dias somos bombardeados por propaganda institucional, em todos os níveis,
apresentando um país que melhora a cada segundo. Nada é questionado. A
realidade que nos cerca é bem diferente. O analfabetismo é alarmante, enquanto
que o desemprego, a miséria e a violência vão arrasando o que resta. A
televisão, sob a batuta da Rede Globo, diverte o “respeitável público” com
novelas, pornografia e futebol. A alienação, a ausência de debate, a
precariedade na informação, tudo vai se agregando à insatisfação coletiva e se
derramando nos assassinatos do noticiário. O país não tem gerenciamento e nem
direção. Os abutres e predadores comuns dominam a cena. Nosso amanhã está
depositado no lixo.